Apresentação de comunicação no 6º Simpósio de PHDA: Da Criança ao Adulto. Promovido pela Unidade de Hiper Atividade do Centro de Desenvolvimento Luís Borges do Hospital Pediátrico de Coimbra, no auditório do edifício central da FCTUC - Pólo II.
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Vários têm sido os contributos teóricos e práticos para a compreensão da Perturbação de Hiperatividade/Défice de Atenção (PH/DA), um dos diagnósticos mais prevalentes nos serviços de saúde mental na infância e com elevada interferência em diversos domínios de funcionamento. A presente revisão bibliográfica pretende explorar as principais evidências científicas e diretrizes práticas na compreensão e tratamento da PH/DA, focando-nos na complexidade do seu substrato etiológico e no aumento da sua prevalência em idade pré-escolar.
Nos últimos anos, tem-se demonstrado que a variabilidade fenotípica da PH/DA apenas pode ser explicada por um modelo multicausal, no qual fatores genéticos, neurobiológicos, ambientais e familiares concorrem no desenvolvimento de diferentes trajetórias num continuum de severidade. Outras linhas de investigação têm analisado o crescente número de crianças diagnosticadas antes dos 5 anos de idade, sugerindo a reformulação das directrizes de conceptualização e diagnóstico, a fim de se evitar a psicopatologização e o sobrediagnóstico de comportamentos normativos em faixas etárias mais precoces.
Sob a perspectiva da psicopatologia do desenvolvimento, os potenciais indicadores de risco na criança e no seu meio devem ser cuidadosamente avaliados, assim como os fatores protetores. Reconhecendo-se a forte influência do sistema parental nos processos de manutenção da PH/DA e na emergência de problemas comórbidos, este tem sido conceptualizado como um alvo-chave na maioria dos programas de intervenção precoce. Em crianças cujos cuidadores foram alvo de um programa de treino parental, investigações recentes verificaram uma diminuição significativa dos comportamentos de PH/DA, a par de uma redução das práticas parentais disfuncionais e do aumento do sentido de competência parental.
Globalmente, ao nível do tratamento e prevenção da PH/DA, as intervenções psicossociais, nomeadamente de intervenção comportamental com pais, têm sido recomendadas como tratamentos de primeira linha, com eficácia amplamente reconhecida sobretudo na idade pré-escolar.
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