

Regularmente, o Serviço de Psicologia vai dar-lhe a conhecer estratégias de promoção da Saúde Mental e aprofundar alguns problemas psicológicos/ perturbações psiquiátricas. Iniciámos este espaço explorando os Problemas do Comportamento Alimentar, e agora voltámo-nos para a ansiedade e para os problemas de saúde mediados por esta emoção – Perturbações de Ansiedade.
Em termos nosológicos, a fobia específica, a perturbação de pânico e fobia social apresentam as taxas de prevalência mais elevadas.
As Perturbações de ansiedade encontram-se associadas a sentimentos de medo e de ansiedade excessivos e a alterações comportamentais, diferindo entre si nos tipos de situações que induzem medo, ansiedade e/ou comportamentos de fuga, e pelo conteúdo dos pensamentos/crenças associados.
O que é a ansiedade?
O medo é uma emoção adaptativa, que é ativada quando somos confrontados com situações ameaçadoras ou difíceis. Quando a situação termina, ou quando desenvolvemos competências para lidar com a mesma, a ansiedade desaparece. Assim, a ansiedade pode ser conceptualizada como uma reação emocional ativada perante situações que envolvam perigo para a sobrevivência do indivíduo, com a função adaptativa de defesa do organismo. A ansiedade ou medo perante um perigo real (e.g., “ser atropelado”) permite mobilizar o organismo para defender-se mediante uma resposta de “alerta”.
Porém, a ansiedade pode constituir um problema a partir do momento em que se torna demasiado forte, persistente e com interferência nas atividades do dia a dia. Indivíduos com ansiedade tendem a evitar determinadas situações que percecionam como possíveis ameaças (e.g., falar em público; medo de andar de elevador ou avião).
A ansiedade quando aumentada e experienciada com elevada intensidade, durante um período de tempo de pelo menos 6 meses, transforma-se numa psicopatologia que necessita de tratamento psicológico especializado.
A ansiedade patológica pode estar associada a uma doença física (e.g., hipertiroidismo), tratando-se de uma “ansiedade secundária” que desaparece após o tratamento adequado; a uma perturbação de ansiedade «propriamente dita» (e.g., perturbação de ansiedade generalizada, perturbação de pânico, fobias, perturbação obsessivo-compulsiva, perturbação de stress pós-traumático); ou a outros quadros clínicos que aparecem frequentemente acompanhados por estados de ansiedade intensa (e.g., depressão, perturbações psicóticas, perturbação obsessivo-compulsiva).
As Perturbações de Ansiedade
Perturbação Ansiedade Generalizada
- Caracteriza-se pela presença de uma preocupação constante, que pode ser irreal ou excessiva, e que acontece de forma persistente por um período de tempo de pelo menos 6 meses. Nestas situações a preocupação pode estar associada a questões financeiras, exigências no trabalho ou por haver receio do que poderá acontecer no futuro. Outra característica desta perturbação está relacionada com a grande dificuldade que as pessoas têm em gerir a ansiedade.
Sintomas
Por norma, são experienciados pelo menos 3 dos seguintes sinais e sintomas:
Ataques de pânico
- Consiste num episódio repentino e intenso de ansiedade. Estes episódios geram períodos de medo ou desconforto intenso que levam a que um indivíduo tenha que sair rapidamente da situação em que se encontra. Os sintomas vão se intensificando, atingindo o seu pico ao fim de 10 minutos.
Sintomas
Fobias
- Caracterizam-se pelo medo de alguma situação ou algo mais específico, que por norma, não se associa a nenhum perigo. Este medo não é sentido pela maioria das pessoas. A exposição a estas situações é geradora de ansiedade e mal-estar. Neste sentido, o indivíduo opta por evitar tais situações, com o objetivo de manter o seu bem-estar.
Agorafobia
– o medo está associado a lugares ou situações em que a fuga seja difícil, ou em que não exista possibilidade de obter ajuda caso surja um ataque de pânico (e.g., multidões, estar à espera numa fila, ficar sozinho fora de casa, atravessar uma ponte, andar em determinados meios de transporte). No entanto, poderá haver situações em que o indivíduo sinta medo desadaptativo, sem nunca ter experienciado um ataque de pânico.
Fobia Social
– medo acentuado e persistente de uma ou mais situações sociais ou de desempenho (e.g., estar com pessoas desconhecidas, falar em público, iniciar ou manter uma conversa), em que o indivíduo está exposto a pessoas desconhecidas ou à possível observação de outras. Nestes casos, o indivíduo receia comportar-se de modo humilhante ou embaraçador. Perante a exposição à situação social temida, o indivíduo sente quase sempre ansiedade, que pode assumir a forma de um ataque de pânico.
Fobia Específica
– o indivíduo experiencia um medo acentuado e excessivo, desencadeado pela presença ou antecipação de um objeto ou situação específica (e.g., animais, objetos, medo das alturas, de viajar de avião ou de carro, ver sangue).
Perturbação obsessivo-compulsiva
- Caracteriza-se por um conjunto de pensamentos intrusivos e recorrentes (obsessões), que por norma são acompanhados por comportamentos repetitivos e ritualizados (compulsões).
Obsessões - pensamento, imagem ou impulso recorrente, que ocorre de uma forma persistente e intrusiva, provocando ansiedade e mal-estar por serem difíceis de neutralizar (e.g., pensamentos de contaminação, sujidade, doença, de que alguma catástrofe irá acontecer; imagens, dúvidas recorrentes sobre a incerteza se trancou a porta ou se tem uma doença).
Compulsões - comportamento estereotipado e repetitivo com o objetivo de evitar ou reduzir o mal-estar gerado por um pensamento intrusivo (e.g., contar, rezar, repetir determinadas palavras, lavar as mãos, colocar objetos de uma determinada forma).
Perturbação de Stress Pós-traumático
- resulta de uma experiência extremamente intensa que pode ter posto em causa a sobrevivência do próprio ou de outros. Esta experiência provoca uma reação emocional forte. Os acontecimentos traumáticos são reexperienciados de modo persistente, por um período de pelo menos 1 mês, podendo prolongar-se durante anos.
Sintomas
Tratamento
A psicoterapia poderá ajudar o indivíduo na identificação e compreensão das razões que geram ansiedade. A terapia cognitivo-comportamental é das técnicas mais recomendadas para o tratamento das perturbações da ansiedade. Em determinadas situações, o tratamento psicoterapêutico poderá ser acompanhado por um tratamento farmacológico.
Através de um tratamento adequado, a maioria das pessoas consegue lidar eficazmente com os sintomas e voltar a viver confortavelmente, aprendendo a gerir, reduzir ou eliminar os sintomas de ansiedade.