Com a viragem de século, na Educação Parental e Familiar assistiu-se a uma sobreposição do modelo sociocultural, bioecológico e multissistémico ao modelo médico, centrado numa abordagem remediativa em que o profissional-especialista ensinava às famílias boas práticas de educação.
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Atualmente, as intervenções centradas nas famílias e nos pais constituem formas eficazes de prevenção, diagnóstico e elaboração consistente de um projecto de vida da criança, baseando-se nas potencialidades e não nas falhas e no controlo social. Assim, por Formação Parental entende-se “um conjunto de actividades educativas e de suporte que ajudam os pais a compreenderem as suas necessidades sociais, emocionais, psicológicas e físicas e as dos seus filhos, aumentando a qualidade da relação entre eles.” (Gaspar, F., 2003).
O grande propósito da Educação Parental é o desenvolvimento do autoconhecimento e da autoconfiança por parte dos pais, assim como, das suas capacidades para apoiar o processo de desenvolvimento das suas crianças. Ou seja, pretende-se aumentar a qualidade das relações entre pais e filhos, promovendo-se a reflexão e um “educar” mais pessoal, profundo e experiencial.
Aliado à Educação Parental, surge, muitas vezes, o Treino Parental ou de Competências Parentais mais direccionado para o trabalho com pais de crianças com problemas de comportamento e situações de crise, procurando uma mudança nas práticas parentais e focalizando-se na resolução de problemas específicos. Este alicerça-se nos pressupostos da Teoria da Aprendizagem Social, mediante os quais a criança aprende a adotar uma conduta mais aceitável socialmente, pela via do ensino e monitorização sistemáticos dos agentes educativos principais – os pais/educadores. De acordo com este paradigma de intervenção, os pais aprendem a identificar e a manipular os antecedentes e as consequências do comportamento da criança, a monitorizar os comportamentos disfuncionais, a utilizar o reforço social através do elogio, a atenção positiva e as recompensas tangíveis ou consistentes ao comportamento apresentado pela criança (Daly, Creed, & Xanthpoulos, 2007).
Diversos estudos têm demonstrado a eficácia de programas de educação parental e do treino de competências parentais, sendo evidentes uma melhoria significativa das atitudes parentais e das interações pais-crianças, bem como, uma redução significativa de comportamentos de crítica e de agressividade nas práticas de disciplina e dos comportamentos problemáticos das crianças (Moreira & Melo, 2005).
O Programa de Educação Parental/ Treino de Competências Parentais que propomos baseia-se no Programa “Anos Incríveis”(Programa de Treino Básico, versão para crianças dos 2 aos 8, Webster Stratton, 2002) e procura intervir no contexto familiar através da promoção das competências educativas dos pais ao nível do jogo/envolvimento; elogio/recompensas; definição de limites e disciplina, constituindo o modelamento a principal estratégia de intervenção.
Globalmente, este programa pretende aumentar a eficiência dos pais enquanto educadores e o ajustamento das crianças em casa e na escola. Os tópicos que serão apresentados são baseados em décadas de investigação, conduzida sobretudo a partir da Universidade de Washington, pela autora do programa, Carolyn Webster Stratton e a sua equipa, mas também um pouco por todo o mundo, já que os programas são utilizados em países tão diversos como Reino Unido, Irlanda, Noruega, Alemanha, Holanda e Nova Zelândia. Estas investigações têm incidido sobre famílias de crianças com e sem problemas, e permitiram compreender quais as competências e maneiras de proceder dos pais que são fundamentais para promover os comportamentos positivos nas crianças.
Por fim, vimos propor grupos de co-aprendizagem e de co-transformação da realidade e das mudanças pretendidas através da criação de um espaço de partilha de sentimentos, emoções, dúvidas e dificuldades em que as famílias, sobretudo os pais são perspectivados como competentes para pensar e mudar!