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Encontro de Arte ao Vivo

Museu Municipal prestigiado com esta interessante iniciativa

Com o objectivo de proporcionar ao público momentos de reflexão e de prazer em torno das criações artísticas que iriam ser produzidas, o Museu Municipal de Carregal do Sal levou a efeito no passado domingo, dia 15 de Julho, um Encontro de Arte ao Vivo, uma actividade de pintura livre desenvolvida no espaço ajardinado entre o próprio museu e a Biblioteca Municipal.
Algo parecido com idêntica actividade organizada em 2003 pela Câmara Municipal mas desenvolvida em vários pontos da vila, o encontro teve participação de 13 pintores portugueses e 1 espanhol este deslocado propositadamente de Salamanca.
A chuva que na tarde daquele dia ensombrou as actividades das Festas do Concelho, nas quais este encontro também se associou, fez com que a logística do mesmo sofresse alguma alteração. Assim, só da parte da manha foi possível pintar ao ar livre abrigando-se os pintores da parte da tarde dentro do próprio museu, mas já com as linhas das suas produções vincadamente definidas.
Ao ser realizado ao ar livre era também objectivo do encontro estimular o diálogo entre cada artista e os apreciadores populares que se atrevessem a uma visualização crítica sobre os trabalhos que iam sendo produzidos. Não foram muitos os apreciadores que ali se dignarem dar animação e incentivo aos artistas, mas mesmo assim surgiram opiniões que um ou outro artista considerou, levando-o a introduzir alterações na sua pintura.
O tempo que dispuseram de condições ao ar livre permitiu que alguns deles encontrassem no museu e no jardim inspiração para os seus trabalhos, passando à tela recortes dessa paisagem como sucedeu com Angélico, de Viseu, Nélida da Cruz, de Nelas e Florian Vilchos, de Salamanca.
Outros optaram por aspectos do próprio concelho, o que sucedeu, por exemplo, com Sandra Ferrão de Oliveirinha que fez da tela uma crítica ao estado de abandono do antigo edifício do Colégio. Idêntica opção houve da parte de Jorge Pinheiro, de Canas de Senhorim, (antigo edifício da Câmara); João Luís, de Viseu, (estação dos caminhos-de-ferro); Grácio Freitas, de Viseu, (Carnaval de Cabanas de Viriato) Aires dos Santos de Canas de Senhorim (rua principal de Carregal do Sal) Rui Costa, de Mangualde (etnografia do Museu) José Orlando de Canas de Senhorim (pelourinho de Oliveira do Conde).
Dos restantes Virgínia Girão de Lisboa dedicou-se a uma pintura abstracta, optando Nelson Dias, de Abraveses, por um retrato do colega João Luís; Paulo Cruz, de Nelas, pelo castelo de Óbidos, e Ricardo Rodrigues, de Viseu, pela paisagem de uma albufeira.
Em opinião dada ao «Defesa da Beira», Evaristo Pinto, director do museu, a iniciativa atingiu os fins pretendidos, não tanto pela oferta de alguns quadros ao município, mas mais pelo conhecimento que os artistas colheram do museu e pela promoção que os próprios farão dele e das suas actividades realçando o tacto de essa promoção projectar o museu a nível nacional e internacional.
Será de facto real a projecção que o museu vai colher com este tipo de actividades, tendo em conta que Florian Vilches, um dos artistas que ofereceu o seu quadro ao museu, mostrou interesse em trazer uma Exposição de pintores espanhóis, e tendo também Virgínia Cirão pedido já marcação para uma exposição sua.
Além disso, surgindo praticamente no final do encontro, uma representante de um círculo de artistas de Viseu, rendida à beleza e à actividade do museu, assim como a boa impressão que colheu do encontro, propôs a realização de igual iniciativa com participação de 150 artistas do país e do estrangeiro, o que Evaristo Pinto declinou perante a grandiosidade de tal evento e o insuficiente espaço do museu mas admitindo que poderá ter viabilidade desde que a quantidade de artistas seja reduzida.
In Defesa da Beira (20/07/2007)

Data de Publicação: 25/07/2007